Tecnologia Genética Revela Espécies Ocultas de Peixes na Bacia do Rio Mearim em Estudo do PPGBAS
Por PPGBAS UEMA em 9 de julho de 2026

“DNA barcoding reveals taxonomic uncertainties and cryptic lineages of fish from the Mearim River basin, Maranhão, Brazil”
A ictofauna do estado do Maranhão acaba de ganhar um mapeamento genético inédito e revelador. Pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade, Ambiente e Saúde (PPGBAS/Uema), em uma colaboração interinstitucional, publicaram o artigo científico “DNA barcoding reveals taxonomic uncertainties and cryptic lineages of fish from the Mearim River basin, Maranhão, Brazil” no prestigiado periódico internacional Biodiversity and Conservation.
O estudo utilizou a avançada técnica de DNA Barcoding (focada no gene mitocondrial COI) para identificar e caracterizar a diversidade de peixes da Bacia do Rio Mearim. O principal objetivo do trabalho é fornecer subsídios científicos sólidos para futuras estratégias de manejo sustentável e conservação ambiental na região.
Mapeamento Abrangente e Parcerias
As coletas foram realizadas ao longo de toda a bacia, abrangendo os rios Mearim, Pindaré, Grajaú, Flores e Corda. A equipe de pesquisadores coletou amostras em nove pontos estratégicos que cobrem os municípios de Pindaré-Mirim, Penalva, Grajaú, Joselândia, Vitória do Mearim, Lajes do Curral, Pedreiras e Barra do Corda.
O sucesso da pesquisa foi fruto de uma forte rede de cooperação científica entre a UEMA (incluindo pesquisadores do campus Caxias, como o Prof. Dr. Elmary da Costa Fraga e a Profa. Dra. Maria Claudene Barros), o Instituto Federal do Maranhão (IFMA), a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o ICMBio.
Resultados Impressionantes: Desvendando Espécies Críticas
Ao todo, os cientistas obtiveram 914 sequências do gene COI, permitindo catalogar com precisão molecular:
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74 espécies de peixes;
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Distribuídas em 67 gêneros e 33 famílias;
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Abrangendo 10 ordens distintas.
A ordem Siluriformes (peixes-gato, como os bagres e cascudos) foi a mais representativa, respondendo por 41% das espécies identificadas, seguida de perto pelos Characiformes (peixes de escama, como as traíras e piabas) com 32%. Entre as famílias, Loricariidae e Auchenipteridae apresentaram a maior riqueza, e o gênero Ageneiosus se destacou como o mais diverso.
O Mistério das Espécies “Invisíveis”
O ponto mais inovador e surpreendente da pesquisa foi a identificação de discrepâncias taxonômicas e a descoberta de complexos de espécies crípticas. Na biologia, espécies crípticas são aquelas que possuem a aparência física (morfologia) praticamente idêntica, mas que geneticamente pertencem a linhagens evolutivas completamente diferentes.
O DNA Barcoding revelou linhagens distintas escondidas sob um único nome em grupos populares. Espécies muito conhecidas na região, como a traíra (Hoplias malabaricus), o mandí (Pimelodella cristata) e o corimbata (Prochilodus lacustris), na verdade escondem múltiplas espécies diferentes que agora precisam de novos estudos taxonômicos para serem formalmente descritas e nomeadas.
Ciência Viva e Aplicada
Além de solucionar dúvidas históricas da classificação biológica, o trabalho ressalta o poder da biologia molecular para mapear ecossistemas sob pressão ambiental. Descobrir que a Bacia do Mearim abriga uma biodiversidade ainda mais rica e oculta do que se imaginava reforça a urgência de políticas públicas de conservação específicas para os rios maranhenses.
Para o PPGBAS, a publicação consolida o programa na vanguarda da pesquisa em biodiversidade no Nordeste e demonstra o compromisso dos seus docentes e discentes em produzir ciência de impacto global com profundas raízes locais.
Texto por: Ana keyla / Estagiária PPGBAS-UEMA


